O Dia Internacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, marca também os 21 anos do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), que consolidou direitos, proteção e inclusão social para a população com 60 anos ou mais no Brasil. Duas décadas depois, os efeitos do envelhecimento da sociedade brasileira já aparecem de forma clara nas urnas.
 

A evolução acompanha a tendência demográfica registrada pelo IBGE. Segundo o Censo 2022, 15,6% da população brasileira é composta por pessoas idosas, número que deve crescer ainda mais nas próximas décadas em razão da queda da taxa de natalidade e do aumento da expectativa de vida, chegando a 79,7 anos em 2040.
 

Esse cenário também se reflete na Justiça Eleitoral, já que a idade avançada não é um obstáculo para a atuação seja como eleitor ou mesário. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, em 2024, no primeiro turno, 51.715 cidadãos com 60 anos ou mais trabalharam como mesários em todo o país. No segundo turno, o número chegou a 14.843. Entre eles, um dado simbólico chama a atenção: três mesários com mais de 100 anos atuaram no processo eleitoral.
 

Em São Paulo, a participação foi expressiva. Ao todo, 24.196 eleitores idosos contribuíram como mesários, reforçando a importância desse grupo etário para o fortalecimento da democracia. Na faixa de 70 a 79 anos, foram 1.074 colaboradores, sendo 684 no primeiro turno e 390 no segundo. O destaque também vai para o índice de voluntariado: 72,85% dos mesários idosos paulistas se ofereceram espontaneamente para a função, mais que o dobro da média nacional, que foi de 34%.

Embora, a partir dos 70 anos, o voto seja facultativo, a presença desse público nas urnas e também na colaboração direta com as eleições permanece significativa. Para assegurar condições adequadas de participação, a Justiça Eleitoral paulista tem ampliado iniciativas de acessibilidade e inclusão.
 

No início deste ano, o programa “A Justiça Eleitoral vai até você – Voto 60+”, da Escola Judiciária Eleitoral Paulista (Ejep), promoveu mais uma ação de cidadania. A atividade foi realizada no Centro de Referência da Cidadania do Idoso e reuniu cerca de 20 frequentadores, em uma iniciativa voltada ao fortalecimento da participação cidadã.
 

Durante o encontro, os idosos puderam vivenciar na prática como funciona o processo eleitoral. Com candidatos fictícios, eles participaram de uma simulação de votação em urnas eletrônicas de treinamento.
 

Além disso, a Justiça Eleitoral paulista tem investido na produção de materiais voltados à inclusão. Entre eles estão a Cartilha de Acessibilidade para as Eleições, disponível em versões para capital e interior; o panfleto Fila de Atendimento Preferencial; e o Guia de Boas Práticas para Elaboração de Documentos e Conteúdos Acessíveis, que reúne orientações para facilitar a leitura, especialmente de pessoas com baixa visão.


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